AS HE later told it, Gabriel García Márquez, who has died at his home in Mexico City, made the most important decision of his life as a writer at the age of 22 when he joined his mother on a journey by steamer and rickety train to Aracataca, a small town surrounded by swamps and banana plantations in the heart of Colombia’s Caribbean coastal plain. Their purpose was to sell his grandparents’ house, where the author was born and had spent most of his first eight years, brought up by his maternal grandparents.
That trip to Aracataca revived memories that bore fruit in “One Hundred Years of Solitude”, the novel that brought García Márquez worldwide fame and a Nobel prize. From its first sentence—"Many years later, as he faced the firing squad, Colonel Aureliano Buendía was to remember that distant afternoon when his father took him to discover ice”—it transported the reader to a magical world of tropical fantasy. Aracataca became Macondo, where rains could last five years or deliver yellow flowers. Colonel Buendía was derived from his maternal grandfather, Colonel Nicolás Márquez, who had fought in the Liberal rebellion of 1899-1902 known as the War of the Thousand Days.
In “One Hundred Years of Solitude” time moves in circles and the absurd is routine, as the modern world eddies in invention and tragedy around a forgotten tropical Eden. In its colourful exaggeration, its joyful jumbling of the comic and the tragic, and its celebration of the extraordinary lives of ordinary people, the novel came to epitomise Latin American “magical realism”, even if the roots of the genre lay with the Argentines, Jorge Luis Borges and Julio Cortázar.
García Márquez’s first steps as a writer were as a poet and a journalist, and those talents underlay his extraordinary gift for storytelling. Unlike many writers of Spanish, he preferred short, simple sentences, and they gave his writing a limpid intensity. Yet success was a struggle. Seized with the inspiration that would turn a long unfinished novel about his grandparents’ house into “One Hundred Years of Solitude”, he locked himself away in his house for nine months, exhausting his modest savings and pawning his car only for the manuscript to be rejected by several publishers. The story goes that his wife, Mercedes Barcha, pawned their liquidiser to raise the postage to send the manuscript to Buenos Aires, where it was accepted.
The rest of his oeuvre was relatively slight, the material largely drawn from the same world of the Colombian Caribbean in novels such as “Love in the Time of Cholera” and “Chronicle of a Death Foretold”. In a modulation of theme, he wrote a historical novel about Simón Bolívar’s last, defeated days (“The General in his Labyrinth”) and returned to journalism, of which he was an accomplished exponent, with “News of a Kidnapping”, a powerful account of the horror inflicted on Colombia by the drug war.
Though he installed himself in Mexico City in 1961, Gabo, as he was dubbed, was indelibly a man of the Colombian Caribbean, with its bohemian, macho culture of sex, rum and political strife. Fame brought him political prominence. His critics said that he had a weakness for power. “Gabo loves presidents. My wife likes to tease him by saying that even a vice-minister gives him a hard-on,” one of his friends told the New Yorker.
His memoir of his early life (“Living to Tell the Tale”) suggested a man more committed to friendship than ideology. He was attracted to dictators of the left. He was a close and uncritical friend of Fidel Castro, accepting the gift of a house in Havana. (He also kept a house in the walled colonial city of Cartagena, his spiritual home.) In 1999 he wrote perceptively of Hugo Chávez that he saw in him “two opposite men”, one who had an extraordinary opportunity to save his country and the other “a conjuror who might enter history as just another despot”.
Gabo remained loyal to his roots in founding a journalism foundation in Cartagena. His later years were marred by lymphatic cancer and then Alzheimer’s disease. When he turned up in a bar in Cartagena during the Hay literary festival in 2010 he had become an amiable but spectral figure.
It was not García Márquez’s fault if magical realism became a sterile canon, practised with success by writers of much lesser talent. But younger novelists were surely right when they criticised him for projecting to the world an archaic vision of Latin America, as an exotic and provincial place, incapable of successful modernisation, development and democracy.
On the other hand, Macondo still co-exists with the modern world in many parts of Latin America. García Márquez captured as nobody else has the region’s joyous absurdity, the central place it grants to family and friendship and its exuberant cocktail of sex and tragedy, of pleasure and feud.
no IG:
García Márquez nasceu em Aracataca, na Colômbia, em 6 de março de 1928. Ele passou a infância sob os cuidados dos avós maternos, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, veterano da guerra dos Mil Dias, da Colômbia, e Tranquilina Iguarán.
O escritor sempre disse que a semente de seu estilo e de sua imaginação está nesta parte de sua vida, no casarão onde sua avó contava histórias de fantasmas e presenças como se fossem a coisa mais normal do mundo.
Anos depois, García Marquéz diria que esta forma de contar histórias fantásticas é a mesma que ele iria usar em livros como "Cem Anos de Solidão".
O avô Nicolás Ricardo morreu quando "Gabito", como os amigos o chamavam, tinha 8 anos. O menino então voltou a morar com os pais, que eram praticamente desconhecidos para a criança, na cidade de Sucre, ao lado dos outros irmãos.
Este fato marcou o fim da infância do escritor que, em suas recordações, afirma que não prestou atenção em mais nada a partir daí. "Desde então, nada interessante me aconteceu", disse.
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Gabriel García Márquez, em foto sem data
Estudos
Aos 12 anos, García Márquez ganhou uma bolsa de estudos para um internato em Zipaquirá, cidade perto de Bogotá que muitos reconhecem nas descrições do povoado lúgubre e remoto onde o personagem Aureliano Segundo vai buscar Fernanda del Carpio no livro "Cem Anos de Solidão".
Os anos no internato foram decisivos para a formação do escritor, que passava as tardes de sábado e domingo devorando obras de Julio Verne e Alexandre Dumas.
Em 1947 García Márquez começou a estudar direito na Universidade Nacional de Bogotá, mas nunca seguiu esta carreira. Neste mesmo ano, ele publicou no jornal "El Espectador" seu primeiro conto, "La Tercera Resignación". No ano seguinte ele começou a trabalhar como repórter no jornal "El Universal", de Cartagena, continuou escrevendo contos para "El Espectador".
Em 1950, García Márquez conheceu em Barranquilla um grupo de jovens intelectuais formado por Álvaro Cepeda Samudio, Alfonso Fuenmayor e Germán Vargas. Estes o apresentaram a Ramón Vinyes, chamado na época de o "sábio catalão". Todos eles apareceriam nos últimos capítulos de "Cem Anos de Solidão".
A influência deste grupo seria grande. Eles foram os melhores amigos do escritor e conseguiram para ele um emprego no jornal "El Heraldo" de Barranquilla e introduziram em sua vida o melhor da literatura moderna com autores como Faulkner, Hemingway, Joyce, Kafka e Virginia Woolf.
Em 1951 García Márquez já havia escrito seu primeiro romance, "La Hojarasca", que só foi publicado anos mais tarde.
Jornalista
Em 1954 García Márquez volta a Bogotá para trabalhar em tempo integral no "El Espectador", onde escreveu reportagens que o transformaram em um dos jornalistas mais famosos da Colômbia. No ano seguinte, foi para Genebra, como enviado do jornal para uma conferência. O que era para ser uma viagem curta, durou quatro anos.
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Gabriel García Márquez participa da Feira do Livro de Guadalajara, no México (24/11/2007)
A ditatura de Gustavo Rojas Pinilla fechou o jornal e García Márquez, que estava em Paris, decidiu investir o dinheiro da passagem de volta em sua estadia na Europa e na finalização do livro "Ninguém Escreve ao Coronel".
Neste período também escreveu "Os Funerais da Mamãe Grande" e outros contos. Em uma de suas visita à Colômbia, em 1958, se casou com Mercedes Barcha.
Em Havana e no México
As viagens de García Márquez levaram o escritor a vários lugares da América Latina e Caribe, entre eles, Havana, em Cuba onde, em 1960, trabalhou na agência de notícias criada pelo governo cubano, Prensa Latina, depois da Revolução.
Nesta ocasião começou seu interesse pela ilha e sua amizade com Fidel Castro. O escritor também trabalhou em Caracas e Nova York até chegar à Cidade do México, exatamente no dia em outro escritor e um de seus mestres, Ernest Hemingway, morreu.
Na capital mexicana trabalhou como roteirista de cinema, editor, publicitário e jornalista. E foi na Cidade do México que ele escreveu "Cem Anos de Solidão".
A forma como García Márquez escreveu seu livro mais famoso já entrou para a mitologia literária da América Latina.
"Há muito tempo me atormentava a ideia de um romance desmedido, não apenas diferente de tudo que escrevi antes, mas também de tudo que havia lido. Era uma espécie de terror sem origem."
"(...) No começo de 1965, ia com Mercedes e meus dois filhos para um fim de semana em Acapulco quando me senti fulminado por um cataclisma da alma (....).
"Não tive um minuto de sossego na praia. Na terça-feira, quando voltamos ao México, me sentei na máquina para escrever uma frase inicial que não podia suportar dentro de mim: 'Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía se lembraria daquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo'."
"Desde então não parei um dia, em uma espécie de sonho demolidor, até a linha final (...)", acrescentou o escritor.
"Cem Anos de Solidão" mudou a vida de García Márquez. O estilo avassalador e luminoso do livro e suas histórias delirantes conquistaram leitores do mundo todo.
E o livro ainda faz sucesso. A estimativa é que tenha vendido mais de 30 milhões de exemplares no mundo todo desde sua publicação em junho de 1967.
O outono
Instalado em Barcelona, na Espanha, García Márquez começou a escrever o romance "O Outono do Patriarca", o relato sobre um ditador da América Latina, um livro publicado em 1975 e que confirmou a força literária do escritor colombiano.
O livro, segundo o escritor, mostra o homem em que Aureliano Buendía teria se transformado se tivesse chegado ao poder.
Antes porém publicou vários contos. Neste período também ocorreu a maior divisão política entre os integrantes do "boom" da literatura da América Latina. Em 1971 ocorreu a detenção e depois a confissão pública de culpa em Cuba do poeta Heberto Padilla, algo que lembrou a muitos os julgamentos stalinistas.
Enquanto escritórios como Mario Vargas Llosa (de forma pública e furiosa) e Carlos Fuentes (de forma mais discreta) se distanciaram do regime cubano, García Márquez continuou apoiando o governo da ilha junto com Julio Cortázar.
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Gabriel García Márquez e Fidel Castro chegam seus relógios durante competição esportiva em Cuba (26/11/2002)
A década de 1970 foi o período de maior atividade política do escritor, quando ele anunciou que não voltaria a publicar obras de ficção até que Augusto Pinochet deixasse o poder no Chile. Ele também se dedicou a escrever artigos jornalísticos.
Para sorte dos leitores e fãs, García Márquez rompeu a promessa em 1981, quando publicou um livro curto, denso e magnífico, "Crônica de uma Morte Anunciada".
No ano seguinte, ele recebe o prêmio Nobel de literatura.
Etapa final
Depois do prêmio, García Márquez escreveu outros três livros: "O Amor nos Tempos do Cólera", "O General em Seu Labirinto" (sobre os últimos dias de Simón Bolívar), "Do Amor e Outros Demônios" e "Memórias de Minhas Putas Tristes", de 2004, sua última obra de ficção.
Também publicou o livro de relatos "Doces Contos Peregrinos", uma grande reportagem, "Notícia de um Sequestro", e suas memórias, "Viver para Contar", em 2002.
Em 1999 foi diagnosticado com câncer linfático. Apesar do tratamento bem-sucedido, o escritor diminuiu suas aparições públicas, que ficaram ainda mais raras nos últimos anos de vida.
Além de sua reclusão, outro assunto comentado foi sua perda de memória, algo confirmado por um de seus irmãos. A cada dia 6 de março, dia de seu aniversário, García Márquez ia até a porta de sua casa na Cidade do México para cumprimentar os jornalistas que se acotovelavam no local.
Agora, Gabriel García Márquez pertence à história. Ele mesmo costumava dizer, e seus amigos confirmavam: no fundo da alma, ele nunca desejou ser o filho do telegrafista de Aracataca.
Os que tiveram a chance de conhecer o escritor pessoalmente perceberam que, atrás da pessoa pública e do amigo de estadistas, se escondia um homem terno e quase tímido.
Por isso e também por todos seus livros, ele era amado pelos amigos e por milhões de pessoas no mundo todo. E, muitos anos depois de ter escrito seu último livro, García Márquez continua sendo amado.
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